Da dúvida da mente
Faz-se a loucura da alma
Capaz de cegar, inocente,
O puro olhar de uma calma
Loucura maior não existe
Que a doce ilusão inventada
Vinda da falta, tão triste,
Da certeza abençoada
O tudo se faz coerente
Insana, a voz se acaba
Abafa o grito, contente
Deixando a certeza do nada
Desfaz-se o sorriso frouxo
Formado do beijo amado
E põe-se, certo, o choro
Fruto do senso errado
E há de afirmar-se, ciente
Que a dúvida, que cresce além
É o auto veneno mais potente
Para a alma de quem a tem